COMO EDUCAR UMA CRIANÇA
por Michael e Debi Pearl
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O site de Michael e Debi Pearl é www.nogreaterjoy.org.br, onde você pode obter o endereço deles e solicitar uma cópia de seu boletim informativo grátis. Nós recomendamos a sabedoria deles sobre educar crianças a todos os pais que amam seus filhos. Seu primeiro livro, COMO EDUCAR UMA CRIANÇA, está inteiramente traduzido a seguir.
INTRODUÇÃO
Este livro não é sobre castigo, nem sobre crianças problemáticas. A ênfase está em como educar uma criança antes de surgir a necessidade de castigá-la. É evidente que a maioria dos pais nunca tenta ensinar uma criança a obedecer. Eles esperam até que a criança se torne insuportável e então explodem. Com treino adequado, o castigo pode ser reduzido a 5% do que muitos praticam hoje em dia. À medida que você entenda a diferença entre treinamento e castigo, você terá uma visão renovada de sua família - será o fim da gritaria, das disputas, das malcriações, menos surras, uma atmosfera alegre em seu lar, e total obediência de seus filhos.
Qualquer pai ou mãe com um nível de maturidade emocional maior do que a de um adolescente de 13 anos de idade pode, com visão e conhecimento adequados da técnica, ter filhos obedientes e felizes. Isto não é uma teoria, é uma realidade prática que tem sido aplicada com sucesso muitas vezes.
Um casal, estressado pelo conflito entre seus três filhos pequenos, após passar um final de semana conosco e ouvir alguns destes princípios, mudaram sua estratégia. Uma semana depois, eles exclamaram, "Mal posso crer; fomos à casa de um amigo, e quando eu disse para meus filhos fazerem algo, eles imediatamente, sem questionamentos, obedeceram!"
Estas verdades não são novas e profundas descobertas do mundo profissional de pesquisas; mais exatamente, são os mesmos princípios que os Amish utilizam para treinar suas teimosas mulas, a mesma técnica que Deus usa para treinar seus filhos. Elas são profundamente simples e extremamente óbvias. Após examiná-las conosco, você dirá, "Eu sabia disso o tempo todo. Onde estive esse tempo todo? É tão óbvio!"
CAPÍTULO 1 - COMO EDUCAR UMA CRIANÇA
USE UMA VARA FINA E FLEXÍVEL COM SEUS FILHOS
Quando dizemos a alguns pais que eles devem disciplinar seus filhos com uma vara fina e flexível, eles respondem, "Eu o faria se conseguisse alcançá-los!" Já recebi crianças em minha casa que fariam até um moedor elétrico de grãos entrar em colapso nervoso. Os pais se parecem com fugitivos da Segunda Guerra Mundial. Mais uma hora com essas crianças, e eu estaria procurando vasectomias promocionais nas páginas amarelas. Enquanto tentamos nos sentar e conversar, as crianças ficam constantemente entrando e saindo correndo, reclamando das outras crianças, implorando para ir embora, para ficar, para comer, ou brigando por um brinquedo que a outra criança não quer emprestar. A mãe precisa sair correndo e resgatar algum objeto frágil o tempo todo. Ela diz "não" seiscentas e sessenta e seis vezes no espaço de duas horas. Ela bate em cada criança duas ou três vezes - geralmente com uma palmada no traseiro, por cima da fralda. Além de desalinhar a coluna da criança, parece não surtir nenhum outro efeito.
Quando falamos de retribuir sistematicamente cada transgressão com uma varada (e não com um golpe de caratê no traseiro), esta mãe só consegue se ver brutalizando ainda mais seus filhos sem fazer bem algum a eles. Seu castigo é somente "uma cortina de fogo" para dar a ela tempo suficiente para conseguir terminar sua próxima tarefa. Ela não espera conquistar a força de vontade deles, somente criar uma distração suficiente para que possa cumprir sua própria missão.
Outra mãe entra com seus filhinhos e se senta para conversar. Ela diz a eles, "Vão brincar na varanda e não incomodem a mamãe a menos que precisem de alguma coisa." Pelas próximas duas horas nós nem percebemos que as crianças estão presentes - exceto quando uma menininha entra apertada dizendo," Xixi, mamãe." Elas brincam bem juntas, resolvem seus próprios conflitos e não esperam atenção quando uma delas cai do cavalinho de brinquedo e faz um galo na cabeça. Elas não ficam entrando e saindo - foi dito a elas que não deveriam fazê-lo. Esta mãe nunca bateu nas crianças enquanto estiveram em minha casa. E ela tampouco precisou repreendê-las. Ela parece bem descansada. Quando as crianças são chamadas para ir para casa, uma delas diz, "Mamãe, posso ficar e brincar com Shoshanna?" A mãe responde, "Não, hoje não. Nós temos trabalho a fazer em casa." O menininho então levanta os braços para a mãe pegá-lo no colo. Abraçando o pescoço da mãe, ele diz, "Eu te amo, mamãe."
Esta jovem mãe me disse, "Meus filhos querem me agradar. Eles se esforçam tanto para fazer tudo que eu digo. Nós nos divertimos tanto juntos!" Ela espera ansiosamente ter mais filhos. Eles são a alegria da vida dela. Mas houve um tempo em que não era assim.
Pela graça de Deus e através dos princípios bíblicos simples encontrados nestas páginas, com determinação e com um coração aberto esta mãe educou filhos que lhe trazem honra e alegria.
TREINAMENTO DE OBEDIÊNCIA
Treinamento não necessariamente requer que o treinado seja capaz de razonar; até mesmo ratos e camundongos podem ser treinados a responder a estímulos. Um treinamento cuidadoso pode fazer um cachorro ser perfeitamente obediente. Se um cão-guia de cegos pode ser treinado para guiar um cego através dos obstáculos de uma rua com confiança, os pais não deveriam esperar mais de uma criança inteligente? Um cão pode ser treinado a não tocar um saboroso pedaço de carne colocado em sua frente. Será que uma criança não pode ser ensinada a não tocar algo? Um cão pode ser treinado a vir, a parar, a sentar, a ficar quieto ou buscar algo ao comando. Você pode não ter treinado seu cão tão bem assim, mas todos os dias alguém consegue fazê-lo com o mais imbecil dos vira-latas. Até um adolescente desajeitado pode ser ensinado a ser um treinador eficiente em uma escola de treinamento de cães.
Se você esperar até que seu cão exiba um comportamento inaceitável antes de repreendê-lo (ou chutá-lo!), você terá um vira-latas medroso que está sempre de mau humor vendo como consegue se safar antes de que alguém grite com ele. Quando há ausência de treinamento, você não pode repreender ou castigar uma criança para que tenha um comportamento aceitável mais do que o faria com o cão da família. Nenhuma quantidade de castigo pode compensar a falta de treinamento.
O treinamento apropriado sempre funciona em qualquer criança. Negligenciar o treinamento é criar circunstâncias infelizes para você e para seu filho. Por ignorância inocente, muitos de vocês tem evitado o treinamento e esperado que o castigo sozinho traga o comportamento apropriado.
Quando jovens teimosos entram no exército, eles primeiro são ensinados a permanecerem parados. As muitas horas de exercícios de obediência são simplesmente para ensinar e reforçar a submissão da vontade própria. "Atenção!" pronunciada, "ATENNN--ÇÃO"" é o início de todos os exercícios. Pense no alívio que seria se com um comando você conseguisse ganhar a atenção absoluta, silenciosa e concentrada de todos os seus filhos. Um sargento consegue obter a atenção de seus homens e depois, sem explicação, ignorá-los, e eles permanecerão congelados na mesma posição até caírem inconscientes. As manobras "Direita volver, Esquerda volver, Sentido!" não tem valor algum na guerra, elas só condicionam os homens a obedecer instantânea e inquestionavelmente.
Assim como no exército, todas as manobras em casa começam com um chamado à atenção. Três quartos de todos os problemas disciplinares no lar seriam instantaneamente resolvidos se você conseguisse obter a atenção imóvel e silenciosa de seus filhos a qualquer instante. "Meia-volta volver--marche!" traduzido na linguagem da família seria: "Saiam do quarto," ou, "Vão para a cama." Sem falar nada eles se viram e vão. Isto é normal em famílias bem educadas.
"EIA, CAVALO"
Nós vivemos em uma comunidade rural, onde alguém está sempre treinando um cavalo novo. Quando você entra em uma carroça para andar em uma rodovia estadual estreita e cheia de curvas juntamente com caminhões e carretas, você precisa ter um cavalo totalmente submisso. Você não pode depender de ter que açoitá-lo para submetê-lo. Um erro, e os jovens estão novamente fazendo vários caixões de pinus e abrindo covas no jardim.
Um cavalo primeiramente é treinado a permanecer imóvel e se submeter quando capturado. Ele não deve temer o freio nem o arreio. Ele deve permanecer imóvel enquanto as treze crianças pisam em frente à roda de ferro para subir na carroça. Quando parar no fim de uma avenida, esperando o tráfego parar, ele não deve exercer sua vontade própria e sair pisando em frente de caminhões pesados em alta velocidade.
Você deve se antecipar e treinar o cavalo para todas as potenciais ocorrências. Isto é feito em um ambiente controlado onde situações são criadas para testar e condicionar as reações do cavalo. Primeiramente o cavalo é condicionado aprendendo a marchar. Enquanto segura o freio e conduz o cavalo, você diz, "Whoa," e então para. Como você está segurando o freio firmemente, ele deve parar. Após algumas poucas vezes, o cavalo parará somente com o comando.
O treinador estabelece o tom de voz ao qual o cavalo responderá. Se você gritar "Whoa!!" então no futuro o cavalo não parará a menos que o comando seja gritado para ele. Conheço um fazendeiro que treinou seus cavalos com um selvagem e frenético berro. A maioria de seus vizinhos, que falam calmamente a seus cavalos, tem dificuldade de controlar os cavalos dele, por não conseguirem elevar suas vozes com tanta veemência.
FALE SOMENTE PARA MIM
Eu estava cortando lenha com uma mula de 750 quilos que às vezes queria sair correndo com a lenha. Em momentos de stress (na verdade eu entrava em pânico), eu me pegava berrando desesperadamente os comandos. O dono da mula costumava me avisar pacientemente, "Fale baixinho e com calma, ou ela não prestará atenção." Eu nunca aprendi a arte de falar "Whoa" baixinho e com calma com uma mula fujona puxando uma pilha de lenha de sete metros e meio com meu pé preso nas correntes da carroça. A lição aqui é que o animal aprende a identificar não somente o som mas também o tom de voz.
Se você elevar seu tom de voz quando der um comando a seu filho, ele aprenderá a associar seu tom de voz e nível de decibéis com sua intenção. Se você o treinou assim, não o culpe se ele ignorar suas primeiras treze "sugestões" esperando que seu tom atinja o ponto onde ele deve interpretá-lo como sendo um comando de verdade.
TREINAMENTO, NÃO CASTIGO
"Treine seu filho no caminho em que deve andar, e ainda que seja velho, não se desviará dele (Prov. 22:6)." Treine, não bata. Treine, não castigue. Treine, não eduque. Treine, não "reforce positivamente". Treinamento é o mais óbvio elemento que falta na educação de filhos. Treinamento não é castigo. Uma criança precisa de muito mais do que somente "treinamento de obediência", mas sem ele todo o resto será insuficiente.
Os pais não devem esperar que o comportamento da criança se torne inaceitável para começar o treinamento - isso seria castigo. Castigo faz parte do treinamento, mas é insuficiente para produzir um comportamento apropriado. O treinamento é o condicionamento da mente da criança antes da crise surgir; é a preparação para obediência instantânea e inquestionável futuramente. Um atleta treina antes de competir. Animais, incluindo os selvagens, são condicionados a responder à voz do treinador.
A frustração experimentada pela maioria dos pais é fruto de sua própria ignorância. Nosso problema não são crianças "más", somente mal treinamento. Não há exceções - as turronas, as hiperativas, as superdotadas e as entediadas; todas precisam de treinamento, e treinamento é eficiente em todas elas.
Entenda, neste momento não estamos falando sobre produzir crianças religiosas, somente crianças felizes e obedientes. Os princípios para treinar crianças a obedecerem instantaneamente podem ser igualmente aplicados por cristãos e não cristãos.
TREINANDO PARA NÃO MEXER
Há muita satisfação em treinar uma criança. É fácil e desafiante. Quando meus filhos estavam na idade de engatinhar (no caso de um deles, de rolar), eu iniciei as sessões de treinamento.
Tente você mesmo. Coloque um objeto atraente onde eles possam alcançá-lo, talvez em um cantinho "Não-não" ou na mesa de centro. Quando eles visualizarem o objeto e começarem a ir em direção a ele, diga com uma voz bem calma, "Não, não mexa aí." Eles já estarão familiarizados com o "Não," então eles vão parar, olhar para você com uma cara de interrogação e então vão virar e tocar o objeto. Dê uma varada em suas mãos uma vez e simultaneamente diga, "Não." Lembre-se, você não está castigando, você está treinando. Uma varada com uma pequena varinha é suficiente. Eles vão encolher a mão e vão considerar a relação entre o objeto, seu desejo, o comando e a pequena dorzinha reforçando o comando. Pode demorar várias vezes, mas se você for consistente, eles aprenderão a obedecer consistentemente, mesmo em sua ausência.
PLANTE SUA ÁRVORE NO MEIO DO JARDIM
Quando Deus quis "treinar" seus primeiros dois filhos a não mexer, Ele não colocou o objeto proibido fora do alcance deles. Em vez disso, Ele colocou a "árvore do conhecimento do bem e do mal" no "meio do jardim (Gen. 3:3)." Com a árvore plantada no meio do jardim, eles passariam por ela continuamente. O propósito de Deus não era salvar a árvore, e sim treinar o casal. Note que o nome da árvore não era somente "do conhecimento do mal", mas, "do conhecimento do bem e do mal". Exercitando suas vontades próprias a não comer, eles teriam aprendido o significado do "bem" tanto quanto do "mal". Comer o fruto era um atalho para o conhecimento, mas não um caminho necessário.
A beleza disso é que mais tarde, sempre que as crianças passassem pelo objeto "Não-não" (sua "árvore do conhecimento do bem e do mal"), eles ganhariam conhecimento do bem e do mal do ponto de vista de um conquistador. Como com Adão e Eva no jardim, o objeto e o tocá-lo em si não tem consequências; mas o comando anexo a ele faz dele uma "fábrica" moral onde o caráter é produzido. Através do seu reforço, seus filhos estão aprendendo sobre governo moral, dever, responsabilidade e, em caso de fracasso, a prestação de contas, recompensas e punições. Aqui e agora, eles estão também aprendendo a não tocar, o que torna a vida social de uma criança muito mais agradável.
Leva somente alguns minutos para treinar uma criança a não tocar um dado objeto. A maioria das crianças pode ser conduzida à submissão alegre e completa em apenas três dias. Posteriormente, se você continuar a ser fiel, as crianças permanecerão felizes e obedientes. Com obediente, quero dizer que você nunca mais terá que falar duas vezes com eles. Se você espera receber obediência instantânea, e se você os treina para tal, você terá sucesso. Levará um tempo extra para treiná-las, mas uma vez que seus filhos estejam submissos, o tempo poupado é extraordinário. Algumas pessoas dizem, "casa à prova de crianças." eu digo, "crianças à prova de casas."
SITUAÇÕES SENSÍVEIS
Você já foi vítima de mãozinhas curiosas? As crianças muito pequenas, que nem andam ainda, são loucas pra agarrar qualquer objeto de interesse. Não há problema nisso, mas às vezes isso pode ser importuno. Quando você está segurando um bebê e ele fica tentando arrancar seus óculos, você não pode explicar a ele que esse comportamento é inadequado socialmente. O bebê ainda não é movido pelo medo de rejeição. Então, você deve tentar prendê-lo para que não alcance seu rosto? Não, você deve treiná-lo a não tocar. Uma vez que consiga treinar um bebê a obedecer o comando "Não", você terá controle em qualquer área que precise de uma proibição.
Prepare-se para o treinamento. Segure-o onde ele possa facilmente alcançar seus óculos. Olhe direto nos olhos dele. Ele estende a mãozinha. Não mova a cabeça para trás. Não se defenda. Calmamente diga, "Não". Não eleve sua voz, abaixe-a. Não tente soar mais sério do que de costume. Lembre-se de que você estará estabelecendo um padrão de comando a ser utilizado para o resto da infância dele. Quando ele tocar seus óculos, novamente diga, "Não", e associe seu comando a uma pequena dorzinha. Ele vai tirar a mão e tentar compreender a associação entre pegar os óculos e a dor. (Eu costumava dar só um tapinha com meu dedo indicador na mãozinha. Nenhum nunca chorou. Eles nem sabem que foi você quem fez isso. Eles pensam que os óculos fizeram isso, ou talvez que o "Não" em si cause dor.) Inevitavelmente, eles tentarão pegar os óculos novamente, para testar sua nova teoria. Como era de se esperar, novamente os óculos causarão dor; e a dor é sempre acompanhada de um "Não" suave e calmo. Pode levar mais uma ou duas vezes até que ele desista de sua carreira de batedor de óculos, mas ele desistirá.
Através deste processo de associação a criança involuntariamente se lembrará da dor toda vez que ouvir a palavra "Não". Chegará o dia em que a palavra "Não" sozinha será suficiente para obter obediência.
Você também pode fazer com que ele pare de agredir sua mãe com uma mamadeira segurada pelo bico. O mesmo vale para puxões de cabelo e barba. O que seja, o bebê pode ser treinado a obedecer. Você quer lutar com ele por toda a infância, resmungando para que ele obedeça, ameaçando, colocando coisas fora de seu alcance, temendo o que ele possa fazer da próxima vez? Ou seria melhor gastar um tempinho treinando-o? No mínimo, treiná-lo economizará seu tempo.
Eu conheço uma mãe que precisa chamar uma babá toda vez que entra no banho. Você deveria poder tirar um cochilo e esperar encontrar a casa em ordem quando acordar.
TREINAMENTO DE OBEDIÊNCIA - BEBÊS QUE MORDEM
Uma experiência particularmente dolorosa para mães que amamentam é o bebê que morde. Minha esposa não perdeu tempo procurando uma cura. Quando o bebê mordia, ela puxava o cabelo dele (uma alternativa precisa ser encontrada para bebês carecas). Entenda, o bebê não está sendo castigado, somente condicionado. Um bebê aprende a não enfiar o dedo no olho ou morder a língua através das associações negativas. Não é preciso entendimento ou raciocínio. Em algum lugar do cérebro aquela informação é armazenada inconscientemente. Após morder duas ou três vezes e sentir a dor na cabeça, a criança programa a informação em seu cérebro para seu próprio conforto. O hábito de morder é curado antes mesmo de começar. Isto não é castigo. Isto é treinamento de obediência.
TREINAMENTO DE OBEDIÊNCIA - PRATOS E BEBÊS
A mãe desajeitadamente segura seu prato de cereal ao alcance das mãos enquanto luta com seu bebê por supremacia. Quando ela coloca o prato fora do alcance do bebê, ele é ensinado que só está em zona proibida quando estiver fora de seu alcance. Para treiná-lo, coloque o prato em seu alcance. Quando ele tentar pegá-lo, diga "Não" e dê uma pancadinha em sua mão. Ele irá tirar a mão, se assustar momentaneamente e novamente tentará tocar o prato. Repita o processo de dizer "Não" com uma voz calma e a pancadinha na mãozinha. Após algumas vezes, você poderá comer em paz.
Quando o "Não" e a pancadinha ocorrerem simultaneamente, várias vezes, em situações diferentes, o comando de voz sozinho logo se torna suficiente para moldar o comportamento. Novamente, lembre-se, o bebê não está sendo punido, somente condicionado. A pancadinha não é uma vara substituta. É reforço ao treinamento de obediência.
VENHA QUANDO EU TE CHAMAR
Um pai conta de suas sessões de treinamento com cada bebê novo da família. Ele reserva uma tarde para o "campo de treinamento" dos bebês. A criança de dez a doze meses é deixada sozinha para se interessar bastante por um brinquedo ou algum outro objeto interessante. Do outro lado da sala ou dentro de outro aposento, o pai chama a criança. Se ele ignora o chamado, o pai explica a necessidade de vir imediatamente quando chamado, e então conduz o bebê até a cadeira do pai. Dessa forma, a criança está sendo programada.
O bebê é levado novamente até o brinquedo e deixado sozinho o tempo suficiente para ficar entretido com o brinquedo. O pai chama novamente, e se não houver reação, o pai pacientemente explica e demonstra qual deve ser a reação desejada. Tendo se assegurado que a criança entendeu, novamente o pai arma a mesma situação e chama o bebê. Desta vez, se não há uma reação imediata, o pai dá uma palmada no bebê e explica novamente. O pai continua a fazer isso durante toda a tarde até que a criança reaja imediata e prontamente ao chamado. Enquanto o pai permanecer consistente, a criança obedecerá consistentemente. Este "treinamento de obediência" é executado com a maior paciência e concentração possíveis. A palmada não deve ser vista como punição, mas como reforço aos comandos.
NUNCA JOVEM DEMAIS PARA SER TREINADO
Os pais que adiam o treinamento até que a criança tenha idade suficiente para discutir questões ou receber explicações descobrem que seu filho é um terror mesmo antes de entender o significado da palavra. Um recém-nascido em pouco tempo já necessita de treinamento. A criança precisa de colo, amor e muita atenção, mas a mãe geralmente tem outras coisas a fazer.
À medida que a mãe, segurando seu bebê, se inclina sobre o berço e começa a deitá-lo, o bebê endurece seu corpinho, respira fundo e berra. A batalha pelo controle acaba de começar. Alguém vai ser condicionado. Ou a mãe de coração bondoso vai ceder à exigência egoísta do bebê (desta maneira treinando a criança a obter o que quer através do choro) ou o bebê vai ser deixado chorando (aprendendo que chorar é contraproducente). O choro por causa de uma genuína necessidade física é simplesmente a única voz do bebê no mundo exterior; mas o choro para manipular os adultos à servidão constante nunca deveria ser retribuído. Senão, você estará reforçando o crescente egocentrismo da criança, que eventualmente se tornará socialmente intolerável.
PASSOS PARA A OBEDIÊNCIA
Uma de nossas filhas que começou a se mover muito cedo tinha fascinação por engatinhar nas escadas. Com quatro meses ela ainda não tinha discernimento para ser castigada por desobediência. Mas para seu próprio bem, nós tentamos treiná-la a não subir as escadas, coordenando o comando de voz "Não" com pequenas varadas nas pernas. A vara era um ramo de salgueiro de 30 cm de comprimento e 3mm de diâmetro.
Sua fascinação por subir as escadas era tanta que quatro ou cinco sessões de treinamento não a fizeram parar. Pensar em mais varadas era desconcertante, então imaginei uma alternativa. Após mais uma varada, eu coloquei a vara no primeiro degrau da escada. Depois, nós a vimos engatinhar até a escada e começar a subir, mas parar no primeiro degrau e ver a varinha. Ela voltou atrás e nunca mais tentou subir as escadas, mesmo depois da varinha ter sido retirada.
DISCIPLINA EXCESSIVA
Ações disciplinárias podem se tornar excessivas e opressivas quando a ferramenta do treinamento é posta de lado e se depende somente do castigo para efetuar o treinamento. Eu já vi pais orgulhosos, severos, governando sua casa com mão firme e fazendo questão de que todos soubessem disso. A vara era utilizada sem hesitação, e especialmente na presença de outras pessoas. Seus filhos tremiam em sua presença, temendo desagradá-lo. Eu me perguntava por que, se ele era tão firme e persistente em obter obediência, ele não a havia conseguido antes de se mostrar em público. Eu fiquei impressionado, mas não da maneira que ele queria impressionar.
À exceção dos bebês, o treinamento em casa elimina quase que totalmente a necessidade de castigo - especialmente castigo público. Ainda assim, se a necessidade surgir em público, faça-o; mas depois vá para casa e treine, para que isso nunca mais aconteça em público.
TREINANDO O TEIMOSO BEBÊ AMISH
Enquanto eu estava sentado conversando com um vizinho Amish, presenciei uma típica sessão de treinamento. O pai estava segurando um bebê de doze meses que subitamente começou a querer escorregar para o chão. Por causa do chão frio, o pai mandou o filho ficar no seu colo. A criança começou a endurecer o corpo como se quisesse se transformar em um míssil para escorregar para o chão. O pai falou com ele em alemão (que eu não entendi) e firmemente o recolocou sentado em seu colo. A criança começou a resmungar e continuou a querer escorregar. O pai então deu uns tapas na criança e falou o que assumi serem palavras de repreensão. Vendo a mãe do outro lado da sala, a criança começou a chorar e estender os braços para ela. Isso é inteligível em qualquer idioma.
Nesse momento, eu fiquei altamente interessado no procedimento. A maioria dos pais ficariam contentes em desistir e entregar a criança, para continuar a conversa. Era óbvio que a criança sabia que teria mais liberdade com sua mãe. Se ele tivesse entregue a criança à mãe, a experiência teria sido um treinamento contraproducente. O bebê aprenderia que quando não conseguisse o que quer com um, era só tentar com o outro. A dedicada mãe, mais preocupada com o treinamento da criança do que com a gratificação de se sentir necessária, ignorou a criança.
O pai então virou a criança de costas para a mãe. O determinado bebê imediatamente entendeu que a linha de batalha havia sido mudada e expressou sua independência jogando uma perna de volta para o lado onde estava sua mãe. O pai deu um tapa na perna dele e novamente falou com ele.
Claramente, os limites haviam sido estabelecidos. Foi dada a ordem para a batalha. Alguém iria se submeter e aprender uma lição. Ou o pai confirmaria que este bebê de um ano domina seus pais ou os pais iriam confirmar sua autoridade. A felicidade de todos estava em jogo, bem como a alma da criança. O pai era sábio o suficiente para saber que isto era um teste de autoridade. Este episódio havia se transformado de um "treinamento de obediência" a uma disciplina por desafio de autoridade.
Pelos próximos quarenta e cinco minutos, a criança ficou tentando mover as perninhas, e seu pai o endireitava de volta, dando um tapa nas perninhas. O pai estava calmo como um balanço de varanda em uma preguiçosa tarde de domingo. Não havia pressa nem raiva. Ele não tomou a desobediência pessoalmente. Ele já havia treinado muitos cavalos e mulas, e sabia o valor da perseverança paciente. No fim, o bebê se submeteu a seu pai, permaneceu sentado em seu colo, e ficou contente - até mesmo alegre.
Alguns diriam, "Mas eu não conseguiria aguentar emocionalmente." às vezes é difícil colocar os planos de lado em prol do treinamento da criança. Isto envolve sacrifício emocional. Mas, o que é o amor, senão entrega? Quando sabemos do bem imediato e eterno que fará à criança, é uma alegria ao invés de um sacrifício.
Quando nossos motivos não são puros, quando suspeitamos que a raiva pode ser parte de nossa motivação, nossa consciência nos causa remorso e relutância em agir. Tememos que nossa disciplina seja um ato de nosso ego para dominar. Temos que lidar com nossas próprias impurezas pelo bem da criança; pois se a criança não receber este tipo de treinamento, sofrerá muito.
TENHA CERTEZA DE DUAS COISAS:
1. Toda criança pequena terá um ou dois momentos em sua vida onde decidirá tomar as rédeas. A teimosia é profunda - incrível - é uma surpresa que alguém tão jovem possa ser tão dedicado e perseverante na rebelião. É o tipo de determinação que se esperaria encontrar em um revolucionário endurecido passando por uma lavagem cerebral contra o inimigo. Mesmo pais treinados para esperar esse comportamento e que estão preparados para perseverar ficam amedrontados pela força de vontade de seus filhos pequenos.
2. Se você for consistente, este teste de autoridade virá somente uma, duas, ou no máximo três vezes na vida de cada criança. Se você desistir, conquistando a vontade da criança, então no final das contas a criança vence. Se você enfraquecer e deixar a vontade da criança vencer, então será uma perda de caráter para a criança. Você deve perseverar pelo bem dos dois. O gato caseiro quando, apesar dos protestos, portas trancadas e chutes, tem permissão ocasional para ficar dentro de casa, será encorajado pelo ocasional sucesso a sempre tentar entrar. Se ele for consistentemente mantido do lado de fora (100% do tempo), ele não entrará, mesmo quando a porta estiver aberta. Quando você às vezes permite que um gato faça o que quer, ele é treinado a entrar na casa, goste você ou não. Se você o chutar com força e frequência suficientes, ele ficará cauteloso o suficiente para lhe obedecer quando você estiver por perto, mas correrá para dentro assim que tiver a oportunidade. Por outro lado, cães, trinta e cinco vezes mais espertos do que gatos, podem ser treinados a entrar ou sair sob seu comando. O segredo, novamente, é consistência. Se o cão aprende através de condicionamento (comportamento consistente da parte do treinador) que nunca lhe será permitido violar o comando de seu líder, ele obedecerá sempre. Se os pais treinarem uma criança cuidadosa e consistentemente, seu comportamento será tão consistentemente satisfatório quanto o de um bem treinado cão-guia.
TREINAMENTO NEGATIVO
Quantas vezes já vimos essa cena em um mercado? Uma criancinha perturbando, sentada na cadeira de comando do carrinho exercendo seus "direitos de criança" de satisfação ilimitada de seus desejos. O pai/mãe tímida, mas desesperadamente, dirige o carrinho através das tentadoras "árvores do conhecimento do bem e do mal". Tarde demais! A criança avista o objeto de sua cobiça desenfreada. Começa a batalha. Ou a criança vai conseguir o que quer ou vai desgraçar a vida do pai/mãe. De qualquer forma, ela vence.
Um pai contou orgulhosamente sobre como corajosamente venceu prometendo um sorvete à criança desde que ela esperasse até que saíssem do mercado. Tais acordos somente fortalecerão as táticas terroristas da criança. Você não está adquirindo o controle da criança, ela está adquirindo controle de você. Todas as crianças são treinadas, algumas descuidadamente ou negligentemente, e algumas, com variados graus de premeditação. Todas as respostas dos pais condicionam o comportamento da criança, e são, portanto, um treinamento.
OBEDIÊNCIA COMPRADA
Pais que compram obediência através da promessa de recompensas estão transformando seus filhos em chantagistas, como os que extorquem dinheiro em troca de proteção. A criança se torna o mafioso, e você o comerciante sob a mira do revólver. Se você está somente negociando com um terrorista pelo adiamento do seu sofrimento por mais um dia, você pode fazer um acordo favorável, mas se você estiver treinando uma criança, você precisa reconsiderar seus métodos. Este método conciliatório é a formação de uma criança carnal, indisciplinada, implacável - e, no fim, um adulto.
VOCÊ ESCUTOU O QUE EU DISSE?
Eu vi um pai dizendo a seu filho pequeno para não tocar em um dado objeto. Tendo sido treinado para ignorar comandos brandos, a criança pegou o objeto. O pai exigiu, "Me dê isso." A criança fingiu não ouvir. "Você me ouviu? (É claro que sim) Dê isso pro papai." (Com mais firmeza) Johnnieee, dê isso pro papai, AGORA!! (Um decibel mais alto -
impaciente - furioso) JOHNNY!! Vou ter que BATER EM VOCÊ?" A essas alturas o pai percebeu seu tom desagradável. Ele acalmou sua voz, e em uma tentativa de concluir o assunto ele se abaixou e estendeu sua mão, facilitando para que Johnny obedecesse. Por causa da voz furiosa e dos olhos flamejantes, Johnny assumiu a postura temporária de "Ok, háverá outro dia." Mas, em vez de entregar o objeto a seu humilhado pai, ele o segurou bem pertinho de seu corpo, forçando o pai a avançar ainda mais em sua direção para pegar o objeto. O pai, parecendo um pobre camponês recebendo sua ração diária de algum nobre condescendente, se submeteu à humilhação por parte do filho e se esticou para pegar o objeto. E então, em uma demonstração de fraqueza, o pai colocou o objeto fora do alcance do filho.
O que Johnny aprendeu com este episódio? Ele teve sua convicção reforçada de que nunca é necessário obedecer um comando da primeira, segunda, terceira ou quarta vez. Ninguém espera isso dele. Ele aprendeu que tem permissão para pegar qualquer coisa a seu alcance e continuar segurando até a situação pegar fogo. Ele aprendeu a não respeitar autoridade, somente força (Chegará o dia em que ele será o mais forte). Pelo exemplo do pai, ele aprendeu como usar a raiva. Pelo esforço do pai em pegar o objeto de sua mão, ele aprendeu como ir até as últimas consequências e continuar com sua provocação. Aquele pai estava efetivamente treinando seu filho a ser um rebelde.
O que o pai aprendeu? Que o pequeno Johnny é só uma criança de "vontade forte"; que as crianças atravessam estágios desagradáveis; que às vezes ser pai é algo deprimente e muito embaraçoso; que é preciso vigiar os filhos a cada instante e manter as coisas fora do alcance deles; que as únicas coisas que as crianças entendem são a força e a raiva? Nada disso é verdadeiro. O pai estava somente colhendo os frutos de seu mal treinamento.
Após considerarmos a natureza das crianças, grande parte do resto deste livro descreverá várias técnicas positivas de treinamento.
sexta-feira, 11 de junho de 2010
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